terça-feira, 1 de outubro de 2019

ARAS DIZ QUE NÃO CEDERÁ A PRESSÕES E VÊ BOLSONARO PREOCUPADO COM QUESTÕES NACIONAIS

Foto: Isac Nobrega/PR

     O novo procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou estar blindado pela Constituição Federal a sofrer qualquer tipo de interferência do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), a quem diz ver como uma pessoa “extremamente cuidadosa com o trato da coisa pública” e bem-intencionado em resolver as questões nacionais”.
    “Nós sabemos que existem na administração pública, federal estadual e municipal, agentes políticos que são exoneráveis e demissíveis ao gosto do governante. A Constituição Federal, quando buscou blindar a sociedade de eventuais autoritarismos, dotou o Ministério Público de autonomia financeiro-administrativa e independência funcional. O caráter de cada procurador-geral vai ditar a sua conduta à frente do órgão, o que vai servir de parâmetro para a instituição. De maneira que não há presidente ou governador que pretenda interferir na atuação do PGR ou do PGJ, ou o que quer que seja, desde que esse agente político mantenha o sue padrão de respeito à Constituição e às leis do país”, declarou Aras em entrevista concedida à rádio Metrópole na manhã desta segunda-feira (30).
    “Seja com o presidente Bolsonaro, seja com os senadores, aos quais visitei —dos 81, visitei, 78— não mantive nenhuma conversa que não fosse absolutamente republicana. Todas as conversas versaram sempre sobre a Procuradoria-Geral da República, sobre a minha visão desta Procuradoria-Geral ante a Constituição e as leis do país”, respondeu ele ao ser questionado se não há risco de ceder a interesses ideológicos do atual governo.
    “O presidente da República se revelou a mim pelo menos uma pessoa extremamente cuidadosa com o trato da coisa pública. Bem-intencionado em resolver as questões nacionais. Em defender a soberania nacional. Preocupado com princípios de moralidade administrativa também, e nunca me tratou de nenhum assunto de sua família, nem de amigos nem de quem quer que seja. Isso é o que se espera de um presidente da República, como e espera de um governador de Estado ou prefeito”, acrescentou Augusto Aras.
Defesa da ‘Vaza Jato’
     O procurador-geral Augusto Aras afirmou que as revelações feitas até aqui pelo site The Intercept Brasil em parceria com outros veículos são “aparentemente verdadeiros” e devem ser levados em conta pelo Ministério Público.
    “Temos que começar a discutir esse assunto do ponto de vista constitucional. Os fatos revelados pela Vaza Jato aparentemente são verdadeiros, porque há vários membros que já confessaram idoneidade das conversas”, disse Aras, em entrevista à rádio Metrópole.
     Em sua avaliação, é preciso, conduto, respeitar os fatos e julgamentos já realizados.
    “Todavia, a responsabilidade dos agentes públicos que porventura tenham cometido excessos deve ser apreciada oportunamente. E já estão sendo apreciado pela corregedoria e pelo conselho do Ministério Público. Esses fatos são relevantes, e nós devemos levá-los em conta”, afirmou.
‘Lista tríplice corporativista’
     Indicado para a PGR como um nome fora da lista tríplice enviada ao presidente Jair Bolsonaro, Augusto Aras nega sentir qualquer desconforto e afirma que, após 16 anos, há uma “disruptura” de uma construção corporativista.
    “Não há desconforto porque a nossa indicação e aprovação da sabatina do senado se fez dentro da Constituição Federal. A lista tríplice e uma construção corporativista iniciada na indicação de Cláudio Fonteles [ex-PGR] após indicação pelo [ex] presidente Lula, em 2003. O corporativismo praticado nesses 16 anos. O corporativismo afasta o mérito para prestigiar o fisiologismo daqueles que integram o núcleo duro do corporativismo. Para promover o clientelismo, caindo na armadilha do ‘toma lá, da cá’. Era preciso que houvesse uma disruptura do MP para voltarmos a busca da unicidade”, assinalou.
FONTE: BAHIA.BA

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