quarta-feira, 29 de julho de 2020

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA PODE SER DENUNCIADA EM FARMÁCIAS; NA BAHIA, SEIS REDES ADEREM AO PROJETO


     Apesar de uma queda no número de ocorrências policiais de violência doméstica durante a pandemia do novo coronavírus, mais mulheres morreram no país vítimas de feminicídio. De acordo com o estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na segunda-feira (28), pelo portal Universa, no Brasil, o número de mulheres que foram vítimas deste tipo de crime pulou de 185 para 189, um aumento de 2,2% dos casos. O estudo se baseou em registros de ocorrência de 12 estados brasileiros, entre março e maio deste ano.

    Em vista do crescimento destes crimes e redução de registros policiais, a campanha ‘Sinal Vermelho Contra a Violência Doméstica’ luta contra a subnotificação e incentiva mulheres vítimas de agressão a pedirem ajuda em farmácias do país. O projeto orienta a vítima a desenhar um “X” em uma das palmas das mãos e mostrar para um atendente ou farmacêutico, que irá acolher a vítima e entrar em contato com a polícia.

    Idealizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), em conjunto com a Anvisa e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o projeto já é realidade em 20 redes de farmácias do país, com mais de 10 mil unidades prontas para o acolhimento.

    Na Bahia, seis redes já participam da campanha, são elas: Multifarma, Extrafarma, Farmácia Pague Menos, Raia Drogasil, Redepharma e Singular Pharma, esta última aderiu ao plano na última semana e ainda não consta na lista oficial da CNJ.

Como surgiu

    Segundo a presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Renata Gil, a campanha foi inspirada em um projeto já existente na Índia, o “Red Dot”. No país, as mulheres vítimas de violência desenham um ponto vermelho na palma da mão para indicar que sofrem agressões dentro de casa e pedir ajuda.

   “Estava preocupada com mulheres encarceradas com seus agressores. (…) Então criamos um sinal vermelho, porque é uma parada, um chega, um basta”, explica Gil em entrevista ao Varela Notícias.

   O projeto foi iniciado em junho deste ano e, desde então, é implementado em estados e municípios brasileiros. De acordo com a presidente da AMB, a ideia é que a campanha se torne uma “política pública disseminada, para que a gente salve vidas”.

Como funciona

    A orientação, conforme ela, é que após ser abordado por uma vítima, o funcionário do estabelecimento mantenha a calma, conduza a mulher para uma sala reservada e acione a Polícia Militar por meio do 190. Caso a vítima precise ir embora, a orientação é que sejam anotados o endereço e o nome completo.

    Segundo Gil, materiais como vídeos educativos e cartilhas são disponibilizados para farmácias, e atendentes e farmacêuticos são treinados para acolher as vítimas. Ela alerta que o papel do funcionário é apenas o de entrar em contato com a polícia e tranquilizar a mulher e eles não possuem responsabilidade de figurar como testemunha de ocorrência.

   “Eles estão treinados para isso e algumas visitas que nós fizemos percebemos que estão muito bem treinados. Aí na Bahia, inclusive, houve um movimento da Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça, pela desembargadora Nágila Brito, e a Polícia Militar, que visitaram as farmácias para orientação e conseguir também a denúncia. É um movimento bem articulado aí na Bahia”, elogia.

    Em Salvador, a Ronda Maria da Penha e a 13ª CIPM acompanharam o trabalho dos representantes do TJ-BA durante visitas a algumas farmácias do bairro da Pituba, como marco do início da campanha na capital do estado. Em nota, a PM ainda orienta que a denúncia deve ser feita através dos números 180 ou 190.

   “Vale ressaltar que o objetivo da campanha também é de sensibilizar as pessoas a realizarem a denúncia por aquelas mulheres que não têm condições de fazê-la, essencialmente pela proximidade constante com seu agressor que o isolamento social provoca”, completa a corporação.

     Como a campanha ainda é recente, a CNJ explica que ainda não há um balanço de números de mulheres que pediram ajuda nas farmácias do país.

FONTE: VARELANOTÍCIAS

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